quarta-feira, 21 de novembro de 2007


Segundo o site: http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=38

Etimologicamente, estereotipia vem do grego “stereós”, que quer dizer: firme, compacto, imóvel, constante e de “typos” que significa: sinal, molde, representação. Já a palavra clichê vem do verbo francês “clicher” e quer dizer “coar matéria derretida” (em geral chumbo ou cobre) sobre a matriz de uma página composta, o que resultava em uma placa sólida, o clichê, do qual se podia imprimir grande número de exemplares. Clicher queria então dizer: estereotipar, produzir um estereótipo.

Acabo de assistir ao filme Araguaya - Conspiração do Silêncio. Filme que busca resgatar uma guerrilha ocorrida na selva amazônica no começo dos anos 70, plena ditadura militar.

Tenho assistido com muito interesse, filmes que tratem do tema: Lamarca, Que é isso companheiro?, Batismo de Sangue, O ano em que meus pais sairam de férias e outros que agora me fogem.

De todos estes, esse me parece o mais esquemático. Mas também há que se pensar no arrefecimento das opiniões da época. Não havia espaço para nuances. Então talvez o filme siga esse caminho. Mas toda vez que um dos lados é retratado como mal absoluto, como apenas: violento, burro, feio e monstruoso, a mim fica faltando algum pedaço.

Não se trata aqui de defender a ditadura e seus quetais (ai, que agora me meto num vespeiro). Longe disso. Muito mais me seduz o ideário revolucionário popular. Mas nesse filme fica até um pouco constrangedor a maneira óbvia que tudo é tratado. Confesso que a cópia que assisti não tinha legendas para o francês do Padre Chico. Talvez suas reflexões fossem o contra ponto que dessem um pouco mais de profundidade ao que ali se desenrolava.

Quando aqui o diretor se posiciona em favor dos guerrilheiros, faz de forma radicalmente panfletária. E aos olhos dos mais jovens, que não acompanharam o desenrolar daqueles tempos, pode levar a uma compreensão estilo velho oeste de filme americano. Só faltou o beijo da mocinha com o padre. Mas isso já é outro filme. E outro clichê.

Tenho notícias de uma onda de filmes: argentinos, uruguaios e chilenos que vem na mesma direção de crítica aos regimes autoritários que grassavam na américa latina. Assisti a um deles: Machuca. Interessante, mas essa fórmula de mostrar a guerra (ou uma situação semelhante), sob os olhos de um menino, me fez pensar no italiano A vida é bela. E numa cena final até ao Sociedade dos poetas mortos.

Enfim, não gostei.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007


As mãos de Edith

Eu me considerava meio órfão ou viúvo, de duas mulheres. A perda delas me aconteceu em épocas diferentes. Hoje eu descobri uma terceira, que deu sentido a tudo. Elas são: Elis Regina, Cássia Eller e à partir de hoje, a maravilhosa Edith Piaf.
Isso porque vi o filme que conta sua história. Certas coisas soam piegas. Óbvias. Mas a mulher realmente era sensacional. Num dado momento, ela saindo de uma pobreza total, num bar, perguntaram se ela estava rica, cantando. Ela rindo, já meio bebum, disse: é por amor à arte. E era.
Mas aí tem uma questão, que me fizeram outro dia: só se faz boa arte na tristeza? Eu creio que não, mas essa vem carregada de um peso realmente diferenciado. De uma entrega mais absurda e intensa. Fica impregnada do impossível. Da transubstanciação, do milagre. Da lei da superação, do que há de divino em tudo o que é humano. E olha que eu acredito que foi o homem que criou deus.
E o último elo da corrente. O filme acaba com Edith cantando Non, je ne regrete rian.
Gravada no último grande trabalho de Cássia, o disco acústico MTV. Eu quase chorei.
Bom pra ver abraçadinho com seu amor.